Manejo reprodutivo de serpentes em cativeiro

Heloise wolski Crespi

Resumo


Este artigo de revisão tem como objetivo explorar os principais aspectos do manejo reprodutivo de serpentes, destacando a diversidade de ciclos ovulatórios, tipos de placentação e modos reprodutivos, com foco em sua relevância para práticas clínicas e conservação. A ampla variação entre espécies quanto ao padrão reprodutivo — sazonal, contínuo ou acíclico — é influenciada por fatores ambientais e regulada por complexas interações hormonais. O ciclo ovulatório inclui fases distintas, desde o recrutamento folicular até a ovulação e, em vivíparas, a fase luteal. Técnicas como a ultrassonografia permitem o monitoramento clínico desses processos. A placentação em serpentes vivíparas ocorre por estruturas como a corioalantóica, coriovitelina e onfaloalantóica, variando conforme a espécie, e possibilita a placentotrofia, além da lecitotrofia, como mecanismos de nutrição embrionária. Histologicamente, essas placentas são epiteliocoriais, mantendo separação entre os tecidos maternos e fetais. Os modos reprodutivos — oviparidade, viviparidade e partenogênese facultativa — refletem adaptações evolutivas e exigem abordagens clínicas específicas. O desenvolvimento embrionário segue padrões conservados entre répteis escamados, com diferenciação sexual dependente de fatores genéticos e ambientais. O parto em serpentes vivíparas ocorre em três fases: pré-parto, contrações e expulsiva, sendo marcado por comportamentos específicos e variações na duração conforme a espécie. A compreensão desses processos é essencial para o aprimoramento de protocolos veterinários, reprodução assistida e estratégias de conservação em ambientes naturais e controlados.

Palavras-chave


Ovulação, Parto, Serpentes

Referências


Almeida-Santos, S. M. & Orsi, A. M. (2002) — Descrevem os ciclos reprodutivos sazonais e os mecanismos hormonais envolvidos na reprodução de serpentes vivíparas, como Crotalus durissus, destacando o papel da progesterona na manutenção da gestação.

Almeida-Santos, S. M., & Orsi, A. M. (2002). Serpentes têm placenta? Uma análise da viviparidade na cascavel Crotalus durissus terrificus (Serpentes: Viperidae). Anais do Simpósio do Programa Biota/FAPESP, São Carlos.

Blackburn, D.G. (2015). Evolution of vertebrate viviparity and specializations for fetal nutrition. Journal of Experimental Zoology Part B: Molecular and Developmental Evolution, 324(8), 663-687.

Brandley, M. C. et al. (2012) — Revelam convergências moleculares entre gestação de répteis e mamíferos, apesar das diferenças histológicas entre placentas epiteliocoriais (serpentes) e hemocoriais (mamíferos).

Brandley, M.C., (2012). Uterine gene expression in the live bearing lizard, Chalcides ocellatus, reveals convergence of squamate reptile and mammalian pregnancy mechanisms. Genome Biology and Evolution, 4(3), 394-411.

Shine, R. (2014). A review of ecological interactions between native frogs and invasive cane toads in Australia. Austral Ecology, 39(1), 1-16.

Van Dyke, J. U. & Beaupre, S. J. (2012) — Demonstram, por meio de estudos com isótopos estáveis, que serpentes vivíparas podem transferir aminoácidos para os embriões, confirmando a funcionalidade nutricional das estruturas placentárias.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2026 Heloise wolski Crespi